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A produção de fertilizantes no Brasil representa em torno de 15% do que é consumido no País. Pois, de acordo com o Ministério da Agricultura, a dependência do Brasil de fertilizantes chega a ser de 85% do total utilizado pelos agropecuaristas brasileiros.
Segundo a EMBRAPA, o Brasil responde por 8% do consumo mundial de fertilizantes e ocupa a 4º posição do planeta, perdendo apenas para a China, Índia e EUA.
Dentre os macronutrientes, três são elementares, o nitrogênio, o fósforo e o potássio (NPK). Esses são os fertilizantes nutricionais mais exigidos para qualquer lavoura ou forrageira no mundo inteiro. O Brasil importa cerca de 95% do nitrogênio (N) que consome. Nos EUA, por exemplo, a importação desse nutriente é bem menor, de cerca de apenas 12,5%.
Já para o fósforo (P), o Brasil chega a importar 75% do nutriente. Mas a maior dependência mesmo é do potássio (K), que chega a ser importado cerca de 96,5% do que é consumido. E essa importação vem principalmente da Rússia e Canadá.
Em 2021 o agronegócio brasileiro foi responsável por 40,6% do total de exportações do País. Ou seja, a contribuição e desempenho do agro são inquestionáveis para a economia brasileira. Mas mesmo assim sua dependência externa dos insumos de produção é enorme.

Segundo Bernardo Silva, diretor do Sinprifert (Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes), o desestímulo à produção de fertilizantes no Brasil vem desde a eliminação da alíquota de importação em 1997.
Os baixos preços de comercialização no mercado interno, principalmente para o potássio, podem ser considerados um dos principais fatores que impede a produção de fertilizantes no Brasil.
A infraestrutura e logística também são grandes fatores que contribuem para que o Brasil não atenda as demandas desses insumos a curto e médio prazo.
Por último, o longo tempo de investimento para que uma mina comece a produzir, que é em torno de dez anos para que se torne viável, também é um fator desanimador.
No primeiro trimestre de 2022 o Governo federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF). A ação teve o objetivo de fortalecer a competitividade da produção de fertilizantes no Brasil e a distribuição de forma sustentável. Assim, diminuiria a necessidade de importação que o País tem de 85% para 45% até 2050.
Porém, o programa está longe de resolver o problema do Brasil no curto prazo, pois a previsão de redução da importação em quase 50% é somente daqui a 28 anos.
O País tem uma área agricultável já utilizada de cerca de 7,3% do território nacional, e segundo especialistas, uma área agricultável disponível ainda não utilizada de 10,5% do território.
Diminuir o uso de fertilizantes na produção agrícola, e consequentemente da produtividade no agronegócio, está fora de cogitação.
O fato de termos como limitante a produção do insumo, não deve impedir que o País consuma a quantidade necessária para suas lavouras e pastagens.
Essa limitação da produção de fertilizantes no Brasil não se dá pela escassez das fontes de matéria prima nem pela área de extração necessária. Existem outros motivos os quais foram citados anteriormente.
Segundo Silva do Sinprifert, o País tem gás natural suficiente para a produção do nitrogênio, bem como fosfato e potássio disponíveis para o aumento da produção interna.
Um estudo recente da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE – PR) concluiu que é fundamental elevar o nível do conhecimento geológico no País sobre áreas potenciais de exploração de fosfatos, inclusive as substâncias fosfatadas marinhas da costa continental brasileira, e sobre áreas potenciais para potássio sedimentar.
O estudo afirma que o território brasileiro ainda tem o conhecimento geológico limitado e que o mapeamento geológico ainda é inferior a 15% do território. Isso deveria servir de incentivo para a busca de novas jazidas, mas não é bem o que acontece.
A descoberta de uma grande reserva de potássio na Amazônia em 2011, posicionou o País em 8º lugar com relação a reserva mundial desse mineral. Porém, as restrições ambientais à atividade mineradora representam um grande entrave na exploração dessa atividade.
O professor de energia e ambiente da USP, IIdo Sauer, relata que as reservas de pré-sal descobertas foram muito importantes para uma possível retomada da produção de fertilizantes nitrogenados devido às imensas quantidades de gás natural disponível nessas reservas.
Após o fechamento das três plantas da Petrobras há alguns anos atrás em Sergipe, Bahia e Paraná, que produziam amônia e ureia, precursores dos fertilizantes nitrogenados, a expectativa de produção foi reacendida através do pré-sal.